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Escrita e revisãoModelo

Como escrever a declaração de disponibilidade de dados

Escolha e adapte uma declaração que informe onde estão os dados da pesquisa, como acessá-los e quais restrições realmente se aplicam.

Artigo científico e pacote de dados permanecem conectados por uma declaração de acesso verificável

A declaração de disponibilidade de dados deve responder, de forma breve e verificável, quais dados sustentam os resultados, onde eles podem ser encontrados e sob quais condições podem ser acessados. Quando os dados não podem ser abertos, a declaração continua necessária: ela informa a restrição e, se existir, o procedimento legítimo de solicitação. O texto não é um elogio genérico à transparência nem uma licença para expor participantes. É a ponte entre as afirmações do artigo e o material que permitiria compreendê-las, conferi-las ou reutilizá-las.

A política varia entre periódicos. A política de dados da Springer Nature, por exemplo, prevê declaração em artigos originais e orienta consultar as instruções específicas de cada revista. Portanto, o primeiro passo não é copiar uma frase pronta: é identificar o destino da submissão, verificar o que a revista chama de dados de pesquisa e mapear a situação real do seu material.

Levante a situação dos dados antes de redigir

Comece pelos resultados apresentados. Para cada tabela, gráfico, categoria analítica ou estimativa, pergunte qual arquivo ou corpus sustenta aquela conclusão. Inclua dados produzidos pelo estudo e dados secundários reutilizados. Depois registre localização, versão, responsável, identificador persistente, licença e eventuais limitações éticas, legais, contratuais ou técnicas.

Essa conferência evita declarações verdadeiras apenas em aparência. “Os dados estão disponíveis no repositório” é insuficiente se o link leva à página inicial, o registro ainda é rascunho ou faltam arquivos necessários para reproduzir a análise. “Disponíveis mediante solicitação razoável” também exige um responsável ativo, critérios de avaliação e autoridade para compartilhar. Uma conta institucional que será desativada após a conclusão do curso não é um plano durável.

A orientação específica da Springer Nature sobre declarações recomenda indicar como acessar os dados, incluir links e identificadores persistentes quando houver depósito e explicar por que o acesso aberto não é possível. Ela também abrange dados originais e dados secundários. Use essa estrutura como diagnóstico, não como texto universal para qualquer revista.

Situações de dados abertos, restritos, reutilizados e não gerados ocupam compartimentos distintos.
A redação correta depende da situação real dos dados e das condições de acesso aplicáveis a cada conjunto.

Escolha o modelo compatível com o acesso real

Quatro situações cobrem boa parte dos artigos, mas podem coexistir no mesmo estudo. Adapte os modelos abaixo com nomes, identificadores e condições concretas; não mantenha os colchetes na submissão.

Dados abertos em repositório: “Os dados anonimizados que sustentam os resultados deste estudo estão disponíveis em [nome do repositório], no registro [título], pelo identificador persistente [DOI ou Handle], sob a licença [licença].” O registro precisa estar publicado ou programado conforme a política do periódico, e o DOI deve apontar para a versão citada.

Dados sob acesso controlado: “Os dados não estão disponíveis publicamente porque contêm [natureza geral da informação protegida]. Solicitações de acesso podem ser encaminhadas a [órgão ou responsável durável] e serão avaliadas conforme [consentimento, aprovação ética, acordo ou critério aplicável].” Só ofereça solicitação se ela for realmente possível; quando não for, declare a impossibilidade e sua razão.

Dados secundários: “Os dados analisados foram obtidos de [produtor ou repositório] e estão disponíveis em [identificador ou endereço persistente], sujeitos às condições de uso definidas pela fonte.” Cite o conjunto no texto e nas referências. Não reapresente como próprios os dados produzidos por outra organização.

Pesquisa sem novo conjunto de dados: “Este artigo não gerou nem analisou um novo conjunto de dados.” Essa formulação pode caber a ensaio teórico ou revisão narrativa, mas não deve ocultar planilhas de extração, corpus ou bases usadas numa análise. Em revisão sistemática, por exemplo, a própria seleção e extração podem formar materiais relevantes, conforme política e prática da área.

Se o estudo combina uma base pública com entrevistas restritas, a declaração deve tratar as duas camadas: identificar a fonte pública e explicar a limitação do corpus qualitativo. Reduzir tudo a “dados disponíveis mediante solicitação” apaga a parte já aberta; dizer “todos os dados estão no repositório” pode expor ou prometer o que não foi depositado.

Explique restrições sem revelar o que está protegido

Uma restrição adequada informa a categoria do impedimento e o mecanismo de governança, sem publicar dados pessoais ou detalhes que permitam reidentificação. Exemplos incluem consentimento que não autorizou compartilhamento público, risco de identificação em amostra pequena, sigilo contratual, material licenciado de terceiros ou regra de acesso da base original.

“Por questões éticas” costuma ser vago demais. Prefira indicar o vínculo: “as transcrições integrais não são públicas porque o consentimento e a aprovação ética preveem acesso apenas pela equipe autorizada”. Se uma versão anonimizada, um conjunto agregado ou um código de análise puder ser compartilhado, descreva essa alternativa. O guia sobre proteção de dados em pesquisa ajuda a avaliar finalidade, minimização, anonimização e acesso.

Não prometa anonimização apenas porque nomes foram removidos. Local, profissão rara, datas e trechos de fala podem permitir reidentificação por combinação. A declaração deve refletir a avaliação feita no projeto e o compromisso assumido com participantes. Em caso de dúvida, confirme com o responsável ético, a instituição e a política do periódico antes do depósito.

Vincule dados, artigo e referência de modo persistente

Quando os dados estão em repositório, use o identificador do registro ou da versão, não um link temporário de edição. O título do conjunto, seus criadores e o ano precisam coincidir com a referência. Se o repositório atribui um DOI conceitual ao conjunto e DOIs específicos a versões, verifique qual deles o periódico orienta usar e qual permite recuperar exatamente o material analisado.

Inclua a citação formal do conjunto na lista de referências quando a política exigir ou quando os dados de terceiros sustentarem as conclusões. O artigo sobre como citar um conjunto de dados detalha autoria, título, repositório, versão, data e identificador. A declaração informa acesso; a referência atribui crédito e identifica o objeto. Uma não substitui a outra.

Declaração, DOI e arquivos são conferidos lado a lado antes da submissão do artigo.
A declaração só é verificável quando o identificador resolve para o registro e os arquivos correspondem aos resultados apresentados.

Teste todos os destinos fora da sessão em que o depósito foi criado. Confira se o título está correto, se os arquivos podem ser vistos no nível prometido e se a versão não mudou depois da análise. Para acesso restrito, verifique se o canal de contato e os critérios estão descritos. Para dados secundários, confirme se a fonte continua acessível e se as condições permitem a utilização relatada.

Faça uma auditoria de correspondência antes de submeter

Leia a declaração ao lado do método, das tabelas e dos arquivos. Cada afirmação precisa ter correspondência real. Se o método diz que o código está disponível, o registro deve conter o código ou apontar para sua versão arquivada. Se a declaração anuncia dados anonimizados, confira se identificadores diretos e combinações de risco foram tratados. Se afirma que não houve dados novos, verifique se o artigo realmente não produziu corpus, extração ou medições próprias.

Uma auditoria eficiente segue cinco perguntas:

  • quais objetos sustentam os resultados e quais deles são originais ou reutilizados;
  • onde está a versão exata de cada objeto e qual identificador a recupera;
  • que pessoa ou instituição possui autoridade para conceder acesso;
  • que restrição se aplica, por qual razão e se existe uma alternativa segura;
  • se a redação atende às instruções atuais do periódico escolhido.

Depois, elimine adjetivos promocionais como “plenamente transparente” e mantenha fatos verificáveis. A melhor declaração geralmente é curta porque o trabalho de organização ocorreu antes. Quando é preciso escrever um parágrafo defensivo para explicar onde estão os dados, o problema pode estar no pacote, no depósito ou na governança, e não na frase.

O texto final deve sobreviver ao momento da submissão

A declaração não termina sua função quando o artigo é aceito. Ela será lida por pessoas que não acompanharam o projeto, talvez anos depois. Use repositório e contato institucionais quando possível, registre condições estáveis e evite depender de arquivos pessoais. Se uma restrição possui prazo, informe o embargo e o que ocorrerá após o término, conforme permitido pela plataforma e pela política.

Por fim, releia a frase como uma promessa operacional: alguém consegue seguir o caminho indicado? Se a resposta for sim, a declaração cumpre seu papel. Se exige explicações privadas, senhas improvisadas ou memória da equipe, volte ao conjunto de dados e corrija a infraestrutura antes de polir a redação.

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