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Escrita e revisãoGuia

Como usar a taxonomia CRediT para declarar contribuições

Mapeie as 14 funções da CRediT, valide contribuições com a equipe e não confunda papéis com critérios de autoria.

Contribuições de uma equipe são mapeadas em funções distintas ao redor de um artigo científico

Usar a taxonomia CRediT é descrever quem contribuiu e de que forma para um trabalho acadêmico por meio de 14 funções padronizadas. Ela melhora transparência, reduz declarações vagas e reconhece atividades além da redação. Porém, CRediT não decide quem é autor, não define ordem de autoria e não substitui critérios de responsabilidade adotados por periódicos, instituições ou áreas científicas.

O melhor momento para começar é no planejamento. Registre contribuições previstas, reveja-as durante o projeto e obtenha confirmação individual antes da submissão. A declaração final deve refletir trabalho realizado, não promessas, cargo, senioridade ou expectativa de crédito.

Entenda o que a CRediT resolve

Listas de autores não mostram se alguém concebeu a pergunta, produziu dados, programou, supervisionou ou escreveu. A taxonomia CRediT oferece vocabulário comum para tornar essas participações visíveis em artigos, repositórios e sistemas editoriais.

Cada pessoa pode ter vários papéis e cada papel pode incluir várias pessoas. A atribuição não mede automaticamente intensidade, embora alguns sistemas permitam qualificadores como “liderança”, “igual” ou “apoio”. Use qualificadores apenas quando a plataforma e a equipe os definirem com clareza.

CRediT descreve contribuição. Critérios de autoria costumam exigir, além de trabalho substantivo, participação na aprovação, responsabilidade e capacidade de responder pelo conteúdo. Uma pessoa pode merecer reconhecimento por atividade técnica sem cumprir critérios de autoria; outra pode cumprir autoria por uma combinação de funções. Resolva autoria conforme a política aplicável e use CRediT para detalhá-la.

Conheça as 14 funções

As definições oficiais dos papéis CRediT devem orientar a classificação. Leia-as integralmente antes de distribuir funções, porque termos cotidianos podem ter sentido diferente.

Conceptualization é a formulação ou evolução de objetivos e ideias centrais. Methodology é o desenvolvimento ou desenho da metodologia. Formal analysis é a aplicação de técnicas estatísticas, matemáticas ou computacionais para analisar ou sintetizar dados. Investigation é a execução da pesquisa e coleta de evidências.

Data curation envolve anotar, limpar, manter e preservar dados para uso e reúso. Software cobre programação e desenvolvimento de componentes de código. Validation trata da verificação da replicabilidade ou reprodutibilidade dos resultados, experimentos e produtos. Visualization é a preparação e apresentação visual dos dados.

Resources representa fornecimento de materiais, amostras, instrumentos, dados ou infraestrutura. Funding acquisition é a obtenção de apoio financeiro. Project administration é a coordenação e gestão das atividades. Supervision envolve responsabilidade de liderança, mentoria e direção científica.

Writing – original draft é a preparação da versão inicial substantiva. Writing – review & editing é a revisão crítica, comentário ou atualização do texto. Traduzir um título ou corrigir pontuação de forma pontual não deve ser inflado para representar participação intelectual inexistente.

As contribuições da equipe são distribuídas entre funções metodológicas, técnicas, gerenciais e de escrita.
Uma matriz por pessoa e função permite identificar sobreposições, lacunas e atribuições que precisam de confirmação.

Monte uma matriz durante o projeto

Crie linhas para participantes e colunas para as 14 funções. Em vez de marcar apenas caixas, adicione uma nota curta sobre a atividade: “desenvolveu o protocolo de análise”, “curou a base final” ou “revisou criticamente a discussão”. Evidência concreta melhora a conversa.

Atualize a matriz em marcos: aprovação do protocolo, fim da coleta, fechamento da análise e início da redação. Papéis previstos podem não ocorrer; novas contribuições podem surgir. Não espere a véspera da submissão, quando conflitos ficam associados a prazo e hierarquia.

Converse com toda a equipe sobre lacunas. Se ninguém assume validation ou data curation, isso pode revelar um problema de processo, não apenas de crédito. A matriz também ajuda a distribuir trabalho ainda necessário.

Diferencie funções próximas

Conceptualization não é sinônimo de supervision. Uma pessoa pode orientar o projeto sem formular a pergunta, ou formular a ideia sem supervisionar a execução. Project administration coordena prazos e atividades; methodology desenha como a pergunta será investigada.

Investigation não é data curation. Aplicar entrevistas, executar experimento ou coletar prontuários pertence à investigação; estruturar, limpar, documentar e preservar o conjunto corresponde à curadoria. Formal analysis interpreta os dados com técnicas analíticas; software pode sustentar essa análise, mas escrever código não implica automaticamente decidir o método.

Writing – review & editing exige contribuição crítica ao texto, não apenas aprovação silenciosa. Supervision não concede todas as outras funções. Funding acquisition reconhece obtenção de recursos, mas não prova participação no método ou na escrita.

Quando houver dúvida, compare a atividade com a definição oficial e registre o exemplo concreto. Não distribua todos os papéis a todos para evitar conversa; isso destrói a informação que a taxonomia deveria fornecer.

Separe autoria, ordem e responsabilidade

A ordem dos autores pode seguir convenções disciplinares, contribuição relativa, ordem alfabética ou outras regras. CRediT não escolhe o sistema. Discuta a ordem separadamente, documente o critério e reveja quando o trabalho mudar.

Papéis de contribuição, critérios de autoria, ordem e responsabilidade são avaliados em camadas separadas.
A taxonomia descreve atividades, mas a equipe ainda precisa aplicar critérios de autoria e assumir responsabilidade pelo conteúdo.

Autoria honorária ocorre quando alguém é incluído por cargo, prestígio ou pressão sem contribuição e responsabilidade suficientes. Autoria fantasma omite quem participou substantivamente. A discussão do COPE sobre autoria e contributorship ajuda a reconhecer disputas e responsabilidades, mas a decisão deve considerar política atual do periódico e da instituição.

Não use a CRediT como mecanismo para legitimar autoria inadequada. Marcar “supervision” para chefe que não participou não resolve o problema. Da mesma forma, atribuir somente “software” a alguém que também desenhou a análise pode minimizar sua contribuição.

Obtenha confirmação individual

Envie a matriz final a cada participante e peça confirmação de seus papéis e, idealmente, da declaração completa. Isso permite corrigir omissões e sobreposições. A pessoa responsável pela submissão não deve atribuir funções unilateralmente com base em impressão.

Se houver discordância, volte às atividades registradas, às definições e aos critérios de autoria. Resolva antes do envio. Em assimetrias de poder, ofereça canal seguro com orientação institucional. Não condicione crédito a tarefas não combinadas.

Registre a data da aprovação. Se o periódico converter a declaração para outro formato, confira o resultado na prova. Sistemas podem alterar ordem, pontuação ou qualificadores.

Adapte a declaração ao periódico

Leia as instruções aos autores e o formulário de submissão. Algumas revistas exigem CRediT no sistema, outras pedem parágrafo no manuscrito, e algumas combinam a taxonomia com declaração de responsabilidade. Use grafia oficial dos papéis e associe iniciais ou nomes sem ambiguidade.

O artigo sobre estrutura IMRaD ajuda a localizar contribuições ao longo do trabalho, enquanto o guia de submissão a periódico apoia a conferência dos arquivos e declarações.

Não copie a declaração de outro artigo. Duas publicações do mesmo projeto podem ter análises, redações e equipes diferentes. Atualize a matriz para cada produto.

Revise transparência e coerência

Antes de submeter, compare a declaração com agradecimentos, financiamento, conflitos de interesse, autoria e método. Quem aparece como responsável pelo software corresponde ao repositório? A curadoria reflete quem preparou a base? Financiadores foram reconhecidos sem receber papéis pessoais indevidos?

Confirme que todas as 14 funções foram consideradas, mas não force o uso de todas. Um trabalho pode legitimamente não ter funding acquisition ou software. Ausência de papel deve refletir o projeto, não esquecimento.

Verifique também se as funções descritas aparecem de modo compatível em outros registros do projeto, como plano de gestão, repositório de código e formulário ético. Diferenças podem ser legítimas porque o trabalho evoluiu, mas precisam ser compreendidas antes da submissão. A declaração final não deve apagar mudanças nem criar uma história retrospectiva mais organizada do que a colaboração real.

Guarde a matriz e as confirmações junto aos arquivos da pesquisa. Se surgir disputa, o registro ajuda a reconstruir decisões. Ele não substitui mediação institucional, mas reduz dependência de memória.

Por fim, leia a declaração como um leitor externo. Ela deve mostrar a arquitetura do trabalho sem exagero. Quando funções, autoria, ordem e responsabilidade são tratadas separadamente e depois conciliadas, a CRediT cumpre sua finalidade: dar crédito mais preciso e tornar a produção científica mais transparente.

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