IMRaD organiza artigos de pesquisa original em Introdução, Métodos, Resultados e Discussão. A introdução apresenta o problema e o objetivo; os métodos explicam como a evidência foi produzida; os resultados mostram o que foi encontrado; a discussão interpreta esses achados em relação à pergunta e à literatura. A estrutura funciona quando a mesma questão atravessa as quatro partes sem que cada seção repita a anterior.
Nem todo artigo deve usar esse formato. Revisões, ensaios, relatos de caso e textos teóricos podem seguir outras arquiteturas, e cada periódico define exigências próprias. Antes de redigir, leia escopo, instruções aos autores e artigos recentes do destino. IMRaD é um mapa para pesquisas originais, não uma autorização para ignorar o gênero.
Faça a introdução terminar na pergunta que o artigo resolve
A introdução precisa conduzir do contexto específico até a lacuna e o objetivo. Comece pelo fenômeno na escala relevante, apresente evidência suficiente para mostrar o problema e identifique o que ainda não está resolvido. Evite uma revisão extensa que consome o espaço da discussão.
A recomendação do ICMJE para preparação de manuscritos explica que a estrutura IMRaD reflete o processo da descoberta e que diferentes tipos de artigo podem exigir formatos distintos. O documento se dirige a periódicos médicos, mas a divisão funcional é amplamente útil para compreender pesquisas originais.
Feche a introdução com objetivo ou hipótese que reapareça nos resultados. Se o objetivo anuncia comparação entre três grupos, os métodos devem descrever esses grupos e a análise; os resultados devem apresentar a comparação; a discussão deve interpretar seu significado. Objetivos que somem indicam problema estrutural.

Escreva métodos para tornar o percurso avaliável
Métodos informam desenho, contexto, participantes ou corpus, seleção, instrumentos, procedimentos, variáveis, análise e ética. Organize a seção na ordem em que o leitor precisa reconstruir o percurso. Use subtítulos quando o volume justificar, mas não fragmente cada frase.
Relate o que foi feito, não o que seria ideal. Se o protocolo mudou, explique a mudança relevante. Dê detalhes suficientes para avaliar adequação e, quando possível, reproduzir procedimentos. Cite métodos estabelecidos e descreva adaptações. Software é ferramenta; informe versão quando isso afeta a análise, mas não substitua decisões por nomes de programas.
Não inclua resultados nos métodos. “Foram entrevistadas 18 pessoas” pode indicar tamanho realizado e pertencer aos resultados conforme a convenção do periódico; já critérios, convite e plano amostral pertencem ao método. A fronteira depende do que foi planejado e do que ocorreu. Preserve consistência.
Apresente resultados na ordem dos objetivos
Resultados respondem à pergunta com evidências, sem transformar cada número em explicação causal. Comece pelo fluxo da amostra ou do corpus, apresente características necessárias para interpretar e avance para análises principais. Depois, inclua análises secundárias identificadas como tais.
Tabelas e figuras devem reduzir carga, não duplicar o texto. No corpo, destaque o padrão e os valores essenciais; não leia todas as células. Informe denominadores, unidades e incerteza. Em dados qualitativos, apresente temas com evidências e variação, não apenas citações decorativas.
Evite adjetivos como “expressivo” ou “relevante” sem critério. Significância estatística não equivale a importância prática. Se uma análise planejada não pôde ser feita, relate o motivo. Transparência é mais importante que uma narrativa perfeitamente linear.
Use a discussão para interpretar, não repetir
A discussão começa respondendo ao objetivo com linguagem compatível com o desenho. Em seguida, compara resultados com literatura, examina mecanismos, considera explicações alternativas, apresenta limites e descreve implicações proporcionais. Repetir a tabela em prosa não é discussão.
Conecte achado e fonte explicitamente. Se o resultado converge com estudo anterior, diga em qual aspecto; se diverge, compare população, contexto, medida e análise. Não escolha apenas trabalhos que confirmam a narrativa. Uma divergência pode revelar limite, mudança de contexto ou diferença metodológica.
O artigo sobre resultados e discussão no TCC aprofunda a separação entre achado, interpretação e diálogo com a literatura. No formato IMRaD, essa separação também controla a sequência do manuscrito.

Revise as fronteiras com frases de teste
Classifique frases da versão atual. “Participantes foram recrutados por...” pertence aos métodos. “Quarenta participantes concluíram...” é resultado do fluxo. “A menor adesão pode decorrer...” é interpretação e pertence à discussão. “Estudos anteriores observaram...” pode contextualizar introdução ou discussão conforme a função.
Quando uma frase parece caber em qualquer lugar, pergunte o que ela faz. Apresenta decisão anterior à coleta, observação do estudo ou significado atribuído depois? Essa função define a posição melhor que palavras isoladas.
Faça também o teste de pares. Cada objetivo da introdução tem método e resultado correspondentes? Cada resultado foi produzido por procedimento descrito? Cada interpretação aponta para achado apresentado? Lacunas nesses pares revelam conteúdo faltante ou excesso.
Integre título, resumo, tabelas e referências
O artigo não termina nas quatro seções. Título deve representar desenho e achado sem prometer causalidade indevida. Resumo precisa refletir objetivo, método, resultados e conclusão real. Palavras-chave favorecem recuperação quando correspondem a conceitos do trabalho e ao vocabulário da área.
A página da Revista Eletrônica de Ciências Exatas e Tecnológicas da UFRB apresenta orientações próprias para introdução, metodologia e conclusões. Use-a como exemplo institucional e siga as instruções do periódico escolhido, que podem exigir arquivos, seções e anonimização diferentes.
Referências precisam corresponder às citações e ter metadados conferidos. Tabelas, figuras e anexos devem ser citados na ordem e preparados conforme o destino. Não ajuste apenas a aparência: uma submissão pode ser devolvida antes da avaliação se o pacote não cumpre os requisitos formais.
Adapte o formato ao desenho e ao periódico
Ensaios clínicos, estudos observacionais, qualitativos e revisões possuem diretrizes de relato específicas. Consulte a EQUATOR Network para identificar checklists adequados, quando aplicáveis. Checklist melhora completude do relato; não corrige desenho inadequado nem substitui o método.
Alguns periódicos unem resultados e discussão; outros exigem seções separadas. Essa decisão muda a montagem, mas não elimina a diferença lógica entre mostrar evidência e interpretá-la. Mesmo em seção combinada, o leitor deve reconhecer quando a frase passa do observado para a explicação.
Não force uma monografia inteira em um artigo. Selecione uma pergunta central e apenas os métodos, resultados e referências necessários para respondê-la. Reduzir escopo é diferente de omitir informação essencial.
Monte o manuscrito a partir de uma matriz
Crie quatro colunas: pergunta, método, resultado e interpretação. Preencha uma linha por objetivo ou análise principal. Depois distribua o conteúdo nas seções e acrescente contexto e limitações. Essa matriz revela rapidamente objetivos sem resultado, análises sem justificativa e conclusões sem evidência.
Faça uma leitura final apenas de título, objetivo, subtítulos, tabelas e conclusão. A promessa deve permanecer estável. Em seguida, leia métodos e resultados lado a lado; depois introdução e discussão. Esses pares expõem incoerências que a revisão linear pode esconder.
O próximo passo é escolher a pergunta central e escrever uma frase para cada seção: por que ela existe, como foi examinada, o que foi encontrado e o que o achado permite concluir. Expanda somente depois que as quatro frases formarem uma cadeia. Um bom IMRaD não é um molde preenchido: é uma arquitetura de evidência em que cada parte responde à anterior.
Faça ainda um teste de leitura por verbos. Na introdução, predominam delimitar, justificar e perguntar; nos métodos, selecionar, coletar e analisar; nos resultados, observar e estimar; na discussão, interpretar, comparar e limitar. Essa pista não é uma regra gramatical, mas revela rapidamente quando a seção está executando uma tarefa que pertence a outra parte do artigo.



