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Pesquisa e metodologiaGuia

Como escolher a diretriz de relato certa para seu artigo científico

Identifique o desenho do estudo, encontre a diretriz e as extensões adequadas e use o checklist para redigir um artigo científico completo.

Desenhos de estudos distintos são organizados por uma biblioteca de checklists e extensões de relato

Diretrizes de relato são conjuntos de itens destinados a tornar um manuscrito mais completo, transparente e útil. Elas ajudam autores a informar como o estudo foi planejado, conduzido, analisado e interpretado. Não substituem o método científico, não transformam um desenho fraco em forte e não funcionam como selo automático de qualidade.

A escolha começa pelo desenho real do estudo. Um ensaio randomizado, um estudo observacional, uma revisão sistemática e uma entrevista qualitativa precisam comunicar aspectos diferentes. Usar o checklist mais conhecido sem conferir o escopo pode deixar lacunas importantes e incluir exigências que não pertencem ao trabalho.

Identifique o desenho antes de procurar a diretriz

Leia objetivo, seleção dos participantes ou fontes, intervenção ou exposição, temporalidade, unidade de análise e estratégia analítica. O rótulo usado no título provisório pode estar impreciso. Um trabalho chamado de “estudo transversal” talvez seja uma análise de prontuários com outra estrutura; uma “revisão bibliográfica” pode ou não ter métodos sistemáticos reproduzíveis.

Registre em uma frase: população ou corpus, desenho, fenômeno ou intervenção, comparação quando existir e desfechos. Essa frase facilita a busca e permite conferir se a diretriz cobre o estudo inteiro ou somente uma parte. Em métodos mistos, cada componente pode exigir uma orientação própria, além da explicação da integração.

A EQUATOR Network mantém uma iniciativa internacional voltada à qualidade e transparência do relato em pesquisa em saúde. Seu escopo é especialmente útil nessa área, mas outras disciplinas podem adotar guias próprios de associações, editoras e periódicos.

Diferencie diretriz de relato, protocolo e avaliação crítica

Uma diretriz de relato pergunta se o manuscrito apresenta informações necessárias ao leitor. Um protocolo registra antecipadamente decisões do estudo. Uma ferramenta de risco de viés ou avaliação crítica examina limitações metodológicas. Embora possam se complementar, não são intercambiáveis.

Preencher uma checklist depois de concluir o texto pode revelar omissões, mas não recupera uma alocação que não foi ocultada, uma busca que não foi registrada ou um dado que nunca foi coletado. Por isso, vale consultar a diretriz durante o planejamento e voltar a ela na redação.

O desenho do estudo conduz à diretriz principal, enquanto protocolo e avaliação crítica permanecem como instrumentos diferentes.
Diretriz de relato corresponde ao desenho, mas não substitui planejamento nem avaliação de qualidade.

Também não trate a quantidade de itens marcados como nota metodológica. Um artigo pode mencionar todos os tópicos e ainda apresentar decisões inadequadas. O checklist melhora a visibilidade do que foi feito; a validade depende do desenho, da execução e da análise.

Procure a família correta e suas extensões

Algumas famílias são amplamente reconhecidas em saúde: CONSORT para ensaios randomizados, STROBE para estudos observacionais, PRISMA para revisões sistemáticas e metanálises, STARD para estudos de acurácia diagnóstica, CARE para relatos de caso e COREQ para determinados estudos qualitativos baseados em entrevistas e grupos focais. O nome da família, porém, não encerra a busca.

A biblioteca da EQUATOR Network reúne diretrizes e extensões por tipo de estudo. Extensões podem tratar de intervenções não farmacológicas, resumos, equidade, inteligência artificial, tipos específicos de dados ou outras particularidades. Confirme versão, data, artigo de explicação e site oficial.

Use a ferramenta de busca da própria rede para encontrar uma diretriz. Pesquise pelo desenho e pelo domínio, não somente pelo tema clínico. Leia o escopo da diretriz, porque nomes semelhantes podem se referir a objetos diferentes.

Verifique a autoridade e a versão

Prefira a publicação oficial, o site responsável e a versão vigente. Uma checklist copiada em um blog ou repositório informal pode estar incompleta ou desatualizada. Guarde o DOI ou URL, a versão consultada e a data de acesso quando o estilo bibliográfico exigir.

Confirme se existe documento de “explicação e elaboração”. Ele costuma apresentar racional, exemplos e interpretação de cada item, evitando respostas mecânicas. Consulte também traduções validadas quando disponíveis; uma tradução livre pode alterar o alcance de um requisito.

O periódico pode pedir uma versão específica ou um arquivo suplementar preenchido. A instrução editorial é uma exigência de submissão; a diretriz é uma referência de transparência. Quando houver diferença, cumpra o periódico sem esconder informação metodológica relevante.

Transforme o checklist em mapa de redação

Não copie os itens para o texto como perguntas. Distribua-os pela arquitetura do manuscrito. Título e resumo informam o desenho; introdução justifica a pergunta; métodos descrevem participantes, procedimentos, variáveis e análise; resultados apresentam fluxo, dados e estimativas; discussão interpreta achados e limitações.

O guia sobre estrutura IMRaD ajuda a localizar cada informação, mas a ordem deve respeitar o gênero e o periódico. Alguns itens aparecem em mais de uma seção: o desfecho pode ser definido nos métodos e apresentado nos resultados sem repetição desnecessária.

Crie uma matriz simples:

ItemOnde apareceEvidência disponívelAção necessária
Desenho no título ou resumotítulo e resumoexpressão atualajustar nomenclatura
Seleção da amostramétodosregistro de inclusãoexplicitar período e critérios
Fluxo de participantes ou fontesresultadosplanilha de acompanhamentoproduzir diagrama ou contagens
Limitaçõesdiscussãonotas da equiperelacionar ao desenho e aos dados
Checklist principal e extensões convergem para as seções do manuscrito e para o arquivo de submissão.
A matriz de relato liga cada requisito à seção, evidência e providência correspondente.

Essa matriz identifica itens verdadeiramente ausentes. Se uma informação não existe porque a etapa não foi realizada, não invente. Declare o que foi feito, discuta a limitação e confirme com os autores responsáveis se há registro recuperável.

Use a diretriz desde o planejamento

Consultar o checklist cedo revela dados que precisam ser preservados: datas de recrutamento, motivos de exclusão, alterações de protocolo, perdas, materiais, código, estratégia de busca e decisões analíticas. Defina onde cada evidência será registrada e quem responde por ela.

Em revisão sistemática, por exemplo, reconstruir meses depois todos os motivos de exclusão pode ser inviável. Em pesquisa qualitativa, informações sobre equipe, relação com participantes e processo analítico não devem depender de memória informal. A diretriz funciona como lembrete de documentação, não como roteiro rígido de condução.

Se o trabalho já terminou, faça uma auditoria honesta. Separe “relatado”, “realizado e ainda não relatado”, “não se aplica” e “não realizado ou sem registro”. Justifique “não se aplica”; não use essa categoria para esconder dúvida.

Preencha a checklist para submissão

Muitos periódicos pedem número de página para cada item. Preencha a checklist somente depois da paginação final, mas mantenha a matriz durante as revisões. Se um item aparece em suplemento, informe arquivo e localização. Evite respostas vagas como “sim” quando a revista pede a página.

Confira se título, resumo, manuscrito, tabelas, figuras, suplemento, protocolo e registro público contam a mesma história. Mudanças de amostra, desfecho ou análise precisam ser explicadas. Divergências entre documentos podem parecer omissão mesmo quando surgiram de uma revisão legítima.

Antes do envio, siga também o fluxo de submissão de artigo científico: instruções aos autores, arquivos, anonimização, declarações, autoria e carta de apresentação permanecem necessários. O checklist não cobre sozinho todos os requisitos administrativos e éticos.

Evite os erros mais comuns

O primeiro erro é selecionar a diretriz pelo método estatístico, quando ela costuma seguir o desenho. O segundo é usar uma diretriz principal e ignorar uma extensão relevante. O terceiro é marcar itens sem indicar onde estão. O quarto é reescrever o método para parecer mais completo do que a execução documentada.

Também é comum citar o acrônimo sem citar a versão, usar checklist antigo, confundir revisão de escopo com revisão sistemática ou aplicar COREQ a qualquer pesquisa qualitativa. Leia título completo, escopo, atualização e exemplos da diretriz.

Quando nenhum guia corresponder perfeitamente, combine referências de modo explícito. Defina uma diretriz principal, justifique extensões ou guias complementares e evite duplicar itens. A ausência de correspondência exata exige transparência, não improvisação silenciosa.

Faça uma conferência final orientada ao leitor

Depois de preencher a matriz, leia o artigo sem o checklist. Um manuscrito pode satisfazer itens e continuar fragmentado. Verifique se o leitor entende quem ou o que foi estudado, como os dados surgiram, quais decisões foram tomadas, o que foi encontrado e quais limites afetam a interpretação.

A diretriz certa é a que corresponde ao desenho, à versão vigente e ao destino editorial. Bem utilizada, ela funciona em três momentos: antecipa registros no planejamento, organiza a redação e documenta a completude na submissão. Sua função não é decorar o artigo com um acrônimo, mas tornar a pesquisa verificável e utilizável.

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