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Escrita e revisãoGuia

Como declarar conflito de interesses em artigo científico

Identifique relações financeiras e não financeiras, consulte a política do periódico e escreva uma declaração transparente e específica.

Relações do autor com pesquisa e publicação são organizadas em uma declaração transparente

Declarar conflito de interesses em artigo científico significa informar relações e atividades que um leitor razoável poderia considerar capazes de influenciar — ou parecer influenciar — o trabalho. A existência de uma relação não prova viés nem impede automaticamente a publicação. O problema central é ocultá-la, descrevê-la de modo incompleto ou deixar que cada autor interprete sozinho o que merece ser informado.

A declaração deve seguir a política do periódico e refletir fatos concretos. Ela pode aparecer no manuscrito, em formulário individual, no sistema de submissão e na carta ao editor. Como esses espaços têm funções diferentes, repetições são comuns; contradições, porém, geram dúvida e precisam ser eliminadas antes do envio.

Entenda conflito como relação, não como acusação

Conflitos podem ser financeiros ou não financeiros. Entre os financeiros estão emprego, consultoria, honorários, bolsas, patrocínio, participação societária, patentes, royalties, equipamentos, viagens e outros benefícios relacionados ao tema. A relevância depende da política, do período considerado e da relação com o conteúdo.

Relações não financeiras podem envolver cargos institucionais, participação em organizações, defesa pública de uma posição, rivalidade acadêmica, vínculo pessoal, atuação editorial ou compromisso intelectual que possa ser percebido como influência. Nem toda colaboração ou opinião vira conflito, mas você não deve restringir a análise ao dinheiro.

Separe três perguntas: quem financiou a pesquisa; quais relações cada autor possui; e qual papel financiadores ou instituições tiveram no desenho, coleta, análise, redação e decisão de publicar. Financiamento é uma informação própria, embora também possa produzir conflito. Agradecimento também não substitui declaração.

As recomendações do ICMJE sobre conflitos usam uma abordagem ampla baseada em relações e atividades que possam afetar a percepção do trabalho. Mesmo fora da área biomédica, essa lógica ajuda a evitar a pergunta limitada “recebi dinheiro diretamente para este artigo?”.

Leia primeiro a política do periódico

Localize instruções para autores, política de conflitos, formulário indicado e prazo retrospectivo. Veja se cada autor preenche documento próprio, se há categorias específicas e se a revista exige declaração também para revisores e editores. Não transplante uma resposta antiga sem comparar regras.

Alguns periódicos pedem relações ligadas diretamente ao manuscrito; outros adotam escopo temporal e temático mais amplo. Há revistas que exigem valores ou nomes de entidades, enquanto outras pedem apenas natureza da relação. Responda exatamente ao que é solicitado, sem usar uma interpretação mais estreita por conveniência.

Salve a versão da política consultada e registre a data. Em uma ressubmissão tardia, verifique se as regras ou relações mudaram. A declaração representa a situação pertinente ao momento da submissão e pode precisar de atualização durante revisão ou produção.

Política do periódico, período aplicável e categorias de relações delimitam a coleta feita com cada autor.
A declaração começa pela regra editorial e por uma coleta individual, em vez de uma suposição genérica do autor correspondente.

Colete informações de cada autor individualmente

O autor correspondente coordena, mas não deve presumir a resposta dos demais. Envie a política e um formulário interno com exemplos: entidade, natureza da relação, beneficiário, período, relação com o tema e situação atual. Peça confirmação explícita mesmo quando a resposta for negativa.

Evite a pergunta isolada “você tem conflito?”. Pessoas interpretam o termo de maneiras diferentes e podem omitir uma consultoria, patente ou cargo por acreditar que não alterou suas decisões. Perguntas por categoria produzem informação comparável e deixam a avaliação final para a política editorial.

Inclua relações da instituição ou de familiares quando a revista assim determinar. Não expanda por conta própria dados pessoais desnecessários; colete somente o que a regra exige e proteja o registro. Em caso de dúvida razoável, descreva a relação ao editor e permita que ele avalie a relevância.

Registre quem respondeu, quando e com base em qual versão da política. Se a autoria mudar, faça nova rodada. Autores incluídos depois precisam declarar; autores retirados podem exigir atualização dos documentos e justificativa conforme o processo editorial.

Diferencie apoio à pesquisa de influência sobre a pesquisa

Nomeie financiadores, bolsas, contratos e apoio material nos campos apropriados. Depois explique o papel de cada fonte: participou do desenho? teve acesso aos dados? influenciou análise? revisou o manuscrito? pôde impedir a publicação? Uma frase factual é mais informativa que “o financiador não teve envolvimento”, quando houve alguma etapa de interação.

Se não houve papel além do apoio, diga isso conforme o modelo da revista. Se houve contribuição, descreva-a. A participação do financiador não torna o estudo inválido por si só; permite que leitores avaliem a independência e que editores adotem salvaguardas.

Mantenha coerência com agradecimentos, afiliações, seção de financiamento, contribuições dos autores e disponibilidade de dados. Uma empresa mencionada como fornecedora em um ponto e ausente da declaração em outro merece revisão. O guia sobre CRediT e contribuições ajuda a separar função autoral de apoio externo.

Escreva relações específicas em linguagem neutra

Uma declaração útil identifica autor, entidade, natureza da relação e pertinência temporal ou temática, conforme exigido. Exemplo estrutural: “[Iniciais] recebeu honorários de consultoria de [entidade] para atividade relacionada a [tema] durante [período].” Outro: “[Iniciais] possui patente referente a [objeto], licenciada para [entidade].” Não use esses exemplos sem adaptar aos fatos.

Evite eufemismos como “colabora com o setor”, “possui interesses” ou “recebe apoio eventual”. Também evite defesa antecipada: a seção não precisa afirmar que a relação jamais influenciou o autor. Basta descrevê-la de forma proporcional e permitir avaliação.

Quando nenhum autor possui relações declaráveis segundo a política, use a fórmula indicada pela revista. “Os autores declaram não haver conflitos de interesses” pode ser suficiente em alguns locais, mas outros exigem formulário individual ou linguagem padronizada. A ausência só pode ser afirmada após consulta a todos.

Informações de autores, entidades, natureza da relação e financiamento são reconciliadas em uma declaração única e verificável.
A declaração final precisa coincidir com financiamento, afiliações, contribuições e respostas do sistema de submissão.

Reconcile todos os pontos da submissão

Compare manuscrito, formulários, sistema, carta de apresentação e arquivos suplementares. O mesmo vínculo não pode aparecer como consultoria em um documento e como emprego em outro. Use nomes oficiais das entidades e datas consistentes.

Na carta de apresentação ao periódico, inclua conflitos ou situações especiais conforme as instruções. Se o campo do sistema limita caracteres, não omita relações: use resumo fiel e anexe a declaração completa pelo canal permitido.

Guarde a confirmação final dos autores. Antes de aprovar provas, confira a declaração que será publicada. Erros de produção, abreviações ambíguas ou omissões precisam ser corrigidos nessa etapa. Se uma relação surgir durante a avaliação, informe imediatamente ao periódico.

Saiba como agir quando houver dúvida ou mudança

Se você não sabe se uma relação é relevante, a saída mais segura costuma ser descrevê-la ao editor, não escondê-la do processo. Consulte núcleo de integridade, comitê de ética ou política institucional quando houver patente, litígio, vínculo empresarial complexo ou risco de confidencialidade.

Uma declaração não autoriza quebrar sigilo contratual, mas um contrato também não deve ser usado para ocultar informação que o periódico exige. Resolva o conflito entre obrigações antes da submissão. Talvez seja necessário obter autorização, reformular o texto ou escolher outro momento para publicar.

Após a publicação, uma omissão descoberta pode exigir correção pública, nota editorial ou investigação, conforme gravidade e efeito. Contate o periódico com descrição completa; não tente alterar apenas currículos ou versões locais. Transparência tardia não apaga o problema, mas permite corrigi-lo de forma rastreável.

Use uma conferência final de cinco partes

Antes de submeter, confirme: a política atual foi lida; cada autor respondeu por categorias; financiamentos e papéis foram descritos; manuscrito, formulário, sistema e carta coincidem; e existe um registro datado da aprovação. Revise novamente se autoria, financiamento ou vínculo profissional mudar.

A melhor declaração não é a mais longa nem a que afirma independência com maior ênfase. É aquela que permite ao leitor entender as relações relevantes sem adivinhar o que ficou escondido. Quando o processo começa com coleta individual e termina com reconciliação documental, o conflito deixa de ser um rótulo abstrato e se torna informação editorial verificável.

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