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Pesquisa e metodologiaGuia

Como planejar uma revisão de escopo com o PRISMA-ScR

Mapeie conceitos, tipos de evidência e lacunas com pergunta, busca, seleção, extração e relato transparentes, sem confundir checklist com método.

Território de evidências é mapeado por conceito, população e contexto em um atlas de papel

Uma revisão de escopo serve para mapear a extensão, a natureza e as características das evidências sobre uma questão ampla. Para planejá-la, justifique por que o mapeamento é a resposta adequada, formule a pergunta, defina critérios, construa uma busca reproduzível, selecione fontes, extraia dados de forma calibrada e sintetize o território encontrado. O PRISMA-ScR orienta o relato dessas etapas; ele não substitui a metodologia que decide como a revisão será conduzida.

Esse desenho pode ser útil para esclarecer conceitos, reconhecer tipos de estudo, identificar como um campo mede determinado fenômeno ou localizar lacunas. Se a pergunta busca estimar um efeito específico ou comparar intervenções, uma revisão sistemática com outro desenho pode ser mais apropriada. A escolha precisa ocorrer antes da buscada de critérios, não depois de conhecer os resultados.

Confirme que o objetivo é mapear, não apenas resumir

Escreva em uma frase qual produto a revisão entregará. “Mapear como a literatura define e mede solidão em universitários” indica conceitos, população e tipo de síntese. “Saber se a intervenção X funciona” aponta para avaliação de efeito e exige outro conjunto de decisões. Revisão de escopo não deve ser escolhida apenas porque parece mais fácil ou aceita pergunta ampla.

O Manual JBI para Síntese de Evidências reúne orientação metodológica sobre quando conduzir revisão de escopo, formulação da pergunta, busca, seleção, extração e apresentação. Verifique a versão atual e o protocolo exigido pelo seu curso, pois procedimentos e registros podem variar.

Delimite também o que não será respondido. Uma revisão pode contar tipos de evidência e descrever conceitos sem avaliar risco de viés de cada estudo. Se a avaliação crítica não for feita, não transforme a distribuição das publicações em conclusão sobre eficácia ou qualidade.

Fontes amplas atravessam critérios transparentes até formar um conjunto delimitado que pode ser mapeado.
Critérios definidos e registrados tornam visível como o universo inicial foi reduzido ao conjunto analisado.

Formule a pergunta com conceito, população e contexto

Estruturas como população, conceito e contexto ajudam a controlar amplitude. A população pode ser pessoas, serviços, documentos ou sistemas; o conceito é o fenômeno central; o contexto delimita ambiente, setor ou condição quando isso muda o significado. Nem toda pergunta precisa restringir os três componentes com a mesma intensidade.

Evite expressões que não geram critérios. “Tecnologia na educação” não define qual tecnologia, qual processo educacional nem que tipo de evidência interessa. “Como instituições de ensino superior descrevem o uso de sistemas generativos na avaliação formativa de graduandos?” produz decisões de busca e extração mais claras, embora ainda exija definir sistemas, avaliação e fontes elegíveis.

Faça um teste com cinco estudos fictícios nas bordas do tema. Um estudo com pós-graduandos entra? Um texto de opinião entra? Um sistema sem componente generativo entra? As respostas revelam critérios que precisam ser escritos antes da triagem.

Publique ou preserve um protocolo anterior à busca

O protocolo registra a justificativa, pergunta, critérios, fontes, busca, seleção, extração e síntese planejadas. Ele reduz decisões oportunistas durante a revisão e permite explicar mudanças. Mesmo quando não houver registro público, mantenha uma versão datada que possa ser comparada com a execução.

Defina tipos de fonte, idiomas, período e status de publicação apenas quando houver motivo. Restringir idioma por conveniência pode excluir evidência relevante e precisa aparecer como limite. Cortar anos deve corresponder a uma mudança do fenômeno, da tecnologia ou da política estudada, não a um número arbitrário.

Liste quem fará cada etapa e como divergências serão resolvidas. Se uma única pessoa conduzir triagem e extração, seja transparente e adote verificações possíveis, como teste piloto de critérios, revisão de amostra e registro de incertezas. Não alegue seleção independente em duplicata se ela não ocorreu.

Construa uma busca ampla, mas explicável

A busca deve equilibrar sensibilidade e viabilidade. Transforme cada componente central em sinônimos, variações linguísticas e termos controlados quando a base oferecer vocabulário. Combine termos dentro do conceito e depois conecte blocos. Documente a expressão exatamente como executada em cada fonte, a data e os limites aplicados.

Não dependa de uma única caixa de busca genérica. Escolha bases conforme as áreas cobertas e complemente com repositórios, literatura cinzenta ou busca em referências quando isso fizer parte do protocolo. Registre deduplicação sem apagar a trilha entre registro importado e fonte original.

O PRISMA-ScR solicita que as fontes de informação e a data da busca sejam informadas e que a estratégia completa de pelo menos uma base seja apresentada. A página oficial da EQUATOR Network sobre o PRISMA-ScR disponibiliza checklist e referência explicativa. Use o documento integral, não apenas o fluxograma.

Calibre critérios antes da triagem completa

Selecione uma amostra de registros variados e aplique os critérios. Marque decisões fáceis, exclusões claras e casos ambíguos. Ajuste definições antes de examinar todo o conjunto e registre a alteração. Critérios que só funcionam quando o título é óbvio produzirão inconsistência no resumo ou texto completo.

Na triagem, preserve o motivo principal de exclusão na etapa de texto completo. Use categorias mutuamente compreensíveis, como população inadequada, conceito fora do escopo, tipo de fonte não elegível ou ausência do contexto requerido. “Não serviu” não permite auditar a decisão.

O fluxograma resume registros identificados, duplicatas, triados, excluídos, avaliados e incluídos. Esses números precisam reconciliar. Ele não comprova qualidade; apenas torna o processo de seleção visível.

Teste o quadro de extração com estudos diferentes

Extração em revisão de escopo também é chamada de charting. Defina campos que respondam ao objetivo: autoria, ano, país, população, conceito, desenho, instrumento, contexto e achados relevantes. Não copie todo o resumo do artigo. Cada campo deve ter uma função na síntese.

Faça um piloto com estudos de formatos distintos. Se o campo “método” recebe parágrafos incomparáveis, desdobre desenho, fonte do dado e análise. Se uma categoria não se aplica a metade das fontes, avalie se ela é central ou se precisa de regra para ausência.

Um quadro físico de extração organiza características, conceitos e lacunas sem transformar os estudos em ranking.
Campos definidos pelo objetivo permitem comparar fontes heterogêneas sem apagar suas diferenças metodológicas.

Sintetize o mapa sem ultrapassar a evidência

Organize resultados por dimensões que respondam à pergunta: evolução temporal, contextos estudados, definições, desenhos, instrumentos e áreas pouco cobertas. Tabelas e figuras ajudam quando comparam dimensões recorrentes. Frequência de publicação não indica automaticamente importância ou qualidade.

Se realizar avaliação crítica, explique por que ela foi incluída, qual instrumento foi usado e como afetou a síntese. Se não realizar, diga isso e evite recomendações que dependam de julgar robustez. Mapear lacuna também não prova que novo estudo é necessário; a lacuna precisa ser analisada em relação à relevância e à viabilidade.

Separe resultado de interpretação. “A maioria dos estudos incluídos ocorreu em hospitais” é descrição do conjunto; “o campo negligencia atenção primária” é uma interpretação que requer considerar busca, critérios, cobertura das bases e possíveis vieses.

Use o PRISMA-ScR como auditoria do relato

Ao redigir, percorra os itens do checklist e indique onde cada informação aparece. Explique racional, objetivos, protocolo, elegibilidade, fontes, busca, seleção, extração, itens de dados, síntese, resultados, limitações e conclusões. Itens não aplicáveis devem ser tratados conscientemente, não ignorados por desconhecimento.

Não escreva que a revisão “seguiu PRISMA” como única descrição metodológica. O checklist melhora transparência do relatório, mas o leitor ainda precisa conhecer decisões concretas. O artigo sobre PRISMA 2020 em revisão sistemática aprofunda a mesma distinção em outro tipo de revisão.

O próximo passo é produzir uma página com objetivo, pergunta, critérios preliminares, fontes e dez campos de extração. Teste-a com cinco estudos nas bordas do escopo. Se as decisões não forem reproduzíveis ou se o produto desejado for uma estimativa de efeito, revise o desenho antes da busca completa. Uma revisão de escopo útil entrega um mapa transparente, não uma coleção ampla de resumos.

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