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Pesquisa e metodologiaGuia

Como fazer o pré-registro de uma pesquisa no OSF

Transforme seu plano de pesquisa em um registro datado, completo e verificável no OSF antes de observar ou analisar os resultados.

Plano de pesquisa é selado em um registro datado antes da entrada dos resultados

Fazer o pré-registro de uma pesquisa no OSF significa documentar perguntas, hipóteses, desenho, variáveis, critérios e análises antes de conhecer os resultados que poderiam influenciar essas decisões. O registro recebe data e conteúdo congelado, criando uma referência verificável para comparar o plano com o estudo executado. Ele não impede mudanças nem garante qualidade por si só: torna visível o que foi decidido antes, o que mudou depois e por quê.

O momento adequado depende do estudo. Em uma pesquisa prospectiva, registre antes de coletar dados. Se os dados já existem, mas ainda não foram acessados ou analisados pela equipe, declare isso com precisão. Chamar de pré-registro um plano escrito depois de observar os resultados enfraquece justamente a transparência que o procedimento procura criar.

Prepare o plano antes de abrir o formulário

Um bom pré-registro começa fora da plataforma. Reúna pergunta, justificativa, população ou corpus, amostra, variáveis, instrumentos, procedimentos, exclusões, tratamento de dados e análise. O roteiro precisa permitir que outra pessoa compreenda quais decisões serão tomadas sem depender de uma explicação posterior.

Se a pesquisa testa hipóteses, declare direção e relação esperada entre variáveis. Se for exploratória, use esse termo e descreva como padrões serão procurados. Pré-registro não obriga todo estudo a ser confirmatório; ele impede que uma análise exploratória seja apresentada depois como se tivesse sido prevista desde o início.

O guia de registros do OSF diferencia o projeto editável do registro permanente. Use o projeto como ambiente de trabalho para arquivos, colaboradores e versões. Crie o registro quando o plano estiver suficientemente definido para ser congelado.

Escolha o modelo de registro adequado

No OSF, diferentes modelos fazem perguntas diferentes. O modelo geral permite descrever uma variedade de projetos; formulários específicos podem orientar estudos confirmatórios, revisões ou protocolos. Leia todos os campos antes de preencher e escolha o modelo que represente seu desenho, não apenas o mais curto.

Crie ou organize o projeto, confira o título, a descrição e os colaboradores e então inicie uma nova registration. O fluxo simplificado de pré-registro orienta o preenchimento e a submissão, mas a plataforma não substitui as decisões científicas. Um campo completo deve dizer o que ocorrerá, em que unidade, com qual regra e sob qual condição.

Projeto editável e registro congelado cumprem funções diferentes no planejamento.
O projeto guarda o trabalho em andamento; o registro preserva a versão do plano submetida em uma data definida.

Não copie parágrafos genéricos do projeto apenas para ocupar campos. Converta objetivos em procedimentos. Em vez de “serão analisadas as respostas”, especifique variável de desfecho, codificação, comparação, modelo, covariáveis e critério de interpretação.

Descreva amostra, variáveis e exclusões

Defina a unidade de análise e a origem dos dados. Informe critérios de inclusão e exclusão, método de recrutamento ou seleção, tamanho pretendido e regra de encerramento. Se houver cálculo amostral, registre parâmetros, teste, efeito esperado, poder e nível de significância. Se a amostra for limitada por disponibilidade, explique o limite sem inventar justificativa estatística.

Nomeie desfechos primários e secundários antes da análise. Para cada variável, indique instrumento, escala, momento de mensuração, transformação e tratamento de valores ausentes. Diferencie exclusão de participante, exclusão de observação e remoção de valor atípico. Uma regra como “outliers serão retirados quando necessário” permite decisões demais depois que o resultado é conhecido.

Esse detalhamento conversa diretamente com um plano de análise definido antes da coleta. Se a pesquisa inclui entrevistas ou material qualitativo, descreva seleção do corpus, preparação, unidade de codificação, construção de categorias, número de codificadores e forma de comparação. Transparência não se limita a testes estatísticos.

Registre a análise como uma sequência executável

Escreva a análise na ordem em que será realizada: preparação, verificações, modelo principal, comparações, correções e análises de sensibilidade. Identifique software e, quando relevante, pacotes ou funções. Associe cada hipótese ao respectivo desfecho e teste. Se existem várias medidas ou tempos, diga qual combinação responde à pergunta principal.

Defina o que fará se pressupostos não forem atendidos. Evite criar uma árvore infinita de possibilidades; registre alternativas plausíveis e o critério que acionará cada uma. O objetivo é limitar escolhas dependentes do resultado sem fingir que toda contingência pode ser prevista.

Também explicite análises exploratórias planejadas. Elas podem ser úteis e legítimas, mas devem aparecer separadas das análises confirmatórias. Essa separação melhora a leitura do estudo e reduz a tentação de reorganizar a narrativa depois.

Hipóteses, decisões analíticas e possíveis desvios ficam conectados por uma trilha verificável.
Um registro útil antecipa decisões e cria um ponto de comparação para mudanças justificadas durante o estudo.

Revise autoria, visibilidade e anexos

Antes de submeter, peça que todos os colaboradores leiam o conteúdo final. Confirme nomes, ordem, permissões e responsabilidades. Evite anexar material com dados pessoais, instrumentos restritos ou informações que comprometam avaliação cega. Quando um arquivo for indispensável, remova metadados sensíveis e verifique se pode ser compartilhado.

O OSF permite tornar o registro público ou submetê-lo sob embargo, conforme as opções disponíveis no momento. Um embargo adia a exposição pública, mas não autoriza omitir o estado real da pesquisa. Escolha conscientemente a duração, registre as razões e confira políticas do periódico, financiador e instituição. Registros públicos podem receber identificador persistente, facilitando citação e ligação com o artigo.

Faça uma revisão campo a campo, de preferência por alguém que não redigiu o texto. Procure referências vagas, opções contraditórias e decisões ausentes. Salve uma cópia local do conteúdo submetido e do comprovante. Depois de enviar, confira a página do registro e a data efetiva, em vez de presumir que um rascunho foi finalizado.

Inclua no controle interno uma pequena ficha com URL, identificador, título exato, autores, data, estado de visibilidade e versão do protocolo à qual o registro corresponde. Essa ficha evita citar um projeto editável no lugar do registro congelado e facilita a conferência na submissão do artigo. Se houver mais de um registro para o mesmo projeto, explique a relação entre eles. Também confira se arquivos mencionados no texto realmente estão acessíveis com as permissões escolhidas; um link existente, mas restrito indevidamente, não oferece a transparência pretendida.

Documente mudanças sem reescrever o passado

O estudo real pode exigir ajustes: recrutamento menor, instrumento indisponível, erro de código ou hipótese inviável. Não esconda a mudança nem trate o registro como prisão. Preserve o plano original e crie documentação datada que explique o que mudou, quando, antes ou depois de quais dados serem vistos, e qual foi a consequência analítica.

Quando a mudança alterar a pergunta ou a análise principal, diferencie claramente o resultado conforme o plano do resultado conforme a revisão. Se possível, apresente análise de sensibilidade. Novos registros ou componentes podem documentar etapas posteriores, mas não substituem a versão original.

No trabalho, cite o registro no método e forneça o link persistente. Relate aderência e desvios de forma objetiva. O pré-registro é parte de uma arquitetura maior de transparência, junto com protocolo, materiais, dados compatíveis com ética, código e relato completo.

Use o registro como ferramenta de projeto

O ganho mais imediato ocorre antes da submissão: dúvidas que pareciam pequenas tornam-se decisões concretas. Quem será excluído? Qual é o desfecho primário? Que teste corresponde à hipótese? O que será feito se faltarem respostas? Resolver essas perguntas cedo economiza retrabalho e melhora o projeto de pesquisa.

Ao final, o registro deve permitir três leituras. A equipe usa o documento para executar o estudo; avaliadores entendem a lógica antecipada; leitores comparam plano e relato. Se o texto só serve como declaração vaga de intenção, ainda não está pronto. Se orienta decisões, preserva datas e acolhe mudanças transparentes, o pré-registro cumpre sua função científica.

Revise essa correspondência novamente antes de divulgar os resultados finais da pesquisa.

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